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Ideias e Ideais - Um passeio pelo SER Humano!!!



 

366 Mulheres:

Estórias Reais!!!

 

 

Um pedido de coração:

Cláudia Rolli, uma grande amiga, lança campanha para uma cirurgia delicada do pai, o Noé!!! Visitem o Blog e colaborem!!! Meu muitíssimo obrigada a todos vocês.

http://acaopelavidanoe.blogspot.com/

 

84º Dia

  

Um passeio pelo parque Ibirapuera num final de inverno. A brisa suava esvoaça os longos cabelos, beijava suavemente o rosto As caminhadas são excelentes para reflexões, mas Julia não queria isso.

 

Mulheres que se escondem. Que buscam caminhos para fugir dos relacionamento e os encontram. Mulheres que sofrem por não saber se relacionar e encontram na solidão a sua única companhia.            

Grande beijo. Fernandha Zechinatto

Ativista do Parto Normal/Natural cada vez mais humanizado. Acredito sempre no empoderamento da Mulher e em nossas realizações!!!



Escrito por Texto de Fernandha Zechinatto às 17h37
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83º Dia

Solidão e Fuga

  

Andança. Assim Ângela passava os seus dias. Acordava numa cidade e dormia em outra. Suas raízes já estavam distantes. O brilho dos olhos já não existia. A vida nômade lhe tirou o contato próximo daqueles que amava. Sua companhia principal era o trabalho. Fazia isso para fugir das relações. Viver é fácil, difícil e conviver.

Apesar dos laços afetivos efetivos, Ângela não conseguia afinar os sentimentos. Olhar para o outro era escancarar demais quem era. Preferia brigar, esbravejar e sair para trabalhar. O trabalho dignifica o homem (e a mulher também) e o perdoa de tudo o que faz ou deixa de fazer. Ângela estava perdoada.

A sagrada família é a base e estrutura do ser humano, mas também o seu inferno. Nela não se consegue esconder por muito tempo os piores defeitos. As qualidades passam despercebidas e Ângela não estava disposta a mostrar quem era em seus momentos de fragilidade. Sorria muito, estava sempre bem vestida com o cabelo impecável. O coração em frangalhos, partido em milhões de cacos. Ninguém pudia supor o que se passava naquela muralha.

Toda essa carapaça um dia seria destruída. Um surto piscótico, uma avalanche de emoções a consumiram. Hoje não ocupa mais o cargo de alta gerência numa multinacional. Mora num sítio afastado da cidade. Vive cercada pelos bichos, mas sem a companhia de alguém. Nem sempre a solidão é uma companheira grata. Lembranças, apenas isso resta a Ângela. Algumas visitas esporádicas dos pais e irmãos, poucos amigos e o convívio consigo mesma, sem lugar para fugir.

 

 

Mulheres que se escondem. Que buscam caminhos para fugir dos relacionamento e os encontram. Mulheres que sofrem por não saber se relacionar e encontram na solidão a sua única companhia.            

Grande beijo. Fernandha Zechinatto

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Escrito por Texto de Fernandha Zechinatto às 23h05
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82º Dia

Pessoas, Coisas e Ideias

 

 

Em algum lugar dos seus guardados, Maria Flor tentava encontrar uma frase que a marcou. Queria escrevê-la tal como o seu autor havia concebido. Estava farta de tanto falatório e fofoca. Mesmo depois de tanto procurar não conseguia achar. Assim mesmo começou a espalhar a frase por todos os lados: “As pessoas medíocres falam sobre pessoas, as comuns falam sobre coisas e as de sucesso falam sobre ideias.”

Flor sabia que muitas vezes se identificou perfeitamente com os medíocres. Como era bom falar, falar e falar de pessoas. Principalmente de quem não estava presente. Assim poderia destilar todo seu veneno e depois voltar a sorrir com o olhar baixo. Dessa forma sua alma nunca ficaria exposta aos que pudessem ler sem piedade o que seus olhos tinham a dizer realmente.

A justificativa era sempre a mesma:

- “Eles também falam de mim!”

Era mesmo um ótimo argumento. Depois de algum tempo foi deixada de lado e a cada novo grupo seu prazo de validade diminuía consideravelmente. Logo, a rotatividade nos grupos passou a ser com tamanha velocidade que já nem parava em escola, empregos e entretenimentos. Quem aguenta tanta preocupação com a vida alheia? Nem Maria Flor se agüentava mais.

Passou a falar das coisas. Primeiro um elogio simples, seguido de algumas ponderações maldosas. Por fim apenas as ponderações muito maldosas.

De longe eu assistia a tudo isso. No começo senti raiva. Como pode uma pessoa ver tanta coisa ruim na outra. Como pode diminuir tudo o que não é dela. Ledo engano, o que Flor fazia era trazer tudo e todos para o seu tamanho, pelo menos para o tamanho que ela mesma se via. Quem não voa alto não pode ver o horizonte ampliado, enxerga no máximo alguns passos adiante. Senti dó, compaixão.

Uma luz e Maria Flor passa a buscar as ideias. Ela entendia que nascer, crescer, reproduzir e morrer era uma condenação a qual não se submeteria. No lugar de morrer ela colocou expandir e ser.

A frase continua espalhada por todos os lugares para que ela possa se educar nessa caminhada para o ser. E eu continuo a observar, agora com um olhar de aprendiz.

 

 

Mulheres que mudam as teorias. Que criam suas próprias considerações. Que se perdem e se encontram. Que passam de alunas insubordinadas a mestres disciplinadas.

            

Grande beijo. Fernandha Zechinatto

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Escrito por Texto de Fernandha Zechinatto às 22h06
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Escrito por Texto de Fernandha Zechinatto às 19h37
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Escrito por Texto de Fernandha Zechinatto às 22h51
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Escrito por Texto de Fernandha Zechinatto às 22h26
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78º Dia

As Voltas do Mundo

 

 

Cada um tem uma forma de agir e reagir. Pensar e refletir. Laura era cuidadosa no trato com as pessoas. Quando criança algumas limitações afetivas e outras dificuldades físicas a privaram de uma aproximação maior das pessoas. Ela se via inferior, pior, deixada de lado. Claro que quanto mais pensava assim, mais agia para permanecer nesse vitimismo que minava cada vez mais tudo o que poderia ser e fazer.

Laura não conseguia enxergar quanto mal fazia a si mesma. E assim alimentava aqueles que também tinham suas limitações escondidas feito pó embaixo do tapete, ocultas e bem presentes, prestes a emergir a qualquer momento.

É interessante observar como é prazeroso para algumas pessoas açoitar, diminuir, ridicularizar outras. Laura era o alvo principal. Não reagia, ficava com a cabeça baixa e encolhida. Era a glória para os seus algozes. Naquela época era menina franzina, com o desenvolvimento lento, não tinha nada que a destacasse, a não ser a inteligência que lhe garantiu o título de nerd, mais um motivo para chacota.

Muitos nem se lembram do seu nome. Laura lembra-se de cada um deles. Precisou vencer muitas barreiras para alcançar a proeminência que se avolumava. A inteligência que tantas vezes motivou agressões dos colegas, hoje a lançou alto. Recentemente tornou-se sócia em grande empresa de visibilidade nacional, necessita ampliar sua equipe para seguir adiante com seus projetos. Muitos currículos foram enviados, dez vagas serão preenchidas, quatro de seus colegas que mais lhe causavam problemas chegaram surpresos para a seleção. Enquanto buscavam uma colocação, Laura estava tranqüila e segura na sua posição de liderança.

Só ela sabe o preço que pagou para dar a volta por cima e superar os anos de zoação. Influente e com prestígio agora decidia a vida daqueles que de alguma forma sabiam de todo aquele potencial e, por isso tentaram sem sucesso destruir. Dos quatro, três eram homens com família e filhos pequenos que precisavam deles. Em poucos segundos todos aqueles dias vieram à tona e um arrependimento tardio, mas inócuo surgiu. Agora tinham filhos, agora sentiram o mal que fizeram, agora temiam pelo futuro que um dia tentaram roubar de Laura.

 

 

Mulheres que são humilhadas. Que têm a infância roubada. Que sabem deixar o passado no seu devido lugar. Que vivem o agora. Que criam um futuro brilhante, apenas seguindo adiante.

            

Grande beijo. Fernandha Zechinatto

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Escrito por Texto de Fernandha Zechinatto às 17h23
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77º Dia

E Ainda Somos as Mesmas!!!

 

 

Tudo parecia igual. Não havia nenhum sinal da novidade que se instalara naquela noite. Quando criança vivia quase um regime militar. Hora para acordar, lanchar, almoçar, estudar, tomar banho, ler, tudo muito bem determinado numa agenda rigorosa de atividades. Suas passagens eram muito bem marcadas.

Cresceu e tornou-se alheia a tudo isso. Um caos que deixava para trás aquela vida tão milimetricamente medida. Sara a cada dia se desvencilhava daquela armadura engessada que seu pai lhe impunha. Queria tudo novo, tudo diferente. Atitudes e costumes perdiam-se em meio a uma rebelião interna. Era impossível continuar tão presa a todos os métodos incorporados nos anos de tenra idade.

Assim, Sara cresceu fugindo dos rituais que marcavam bem cada momento vivido, cada fase. Seu livro de memórias era em branco. Sua memória tinha brancos, nada permanecia ali por muito tempo. Sua identidade desbotava rapidamente.

Sara sempre achou que rituais de passagem eram bobagens, só participou efetivamente do seu batismo. Desse não houve como escapar. Depois a sua rebeldia tratou de tornar a vida de seus pais bem difícil. A cada novo ritual um enfrentamento voraz, tudo para mostrar o quanto aquilo era fora de moda, insignificante, desprovido de qualquer sentido.

Ao crescer criou um mundo próprio. Sem perceber criou os próprios rituais, rotinas e formas de conduzir que em muito lembrava todos aqueles que negava. Nem melhor, nem pior. E Sara entendeu que o homem precisa dessas marcações para compreender as mudanças, os novos caminhos, as novas possibilidades, os novos desafios.

Dessa forma pode selar a paz com a sua família de origem e consigo mesma.

 

 

Mulheres que fogem de rituais. Que criam seus próprios rituais. Que entendem que cada povo tem sua forma de viver e fazer as transições em suas vidas.

 

Grande beijo. Fernandha Zechinatto

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Escrito por Texto de Fernandha Zechinatto às 17h20
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76º Dia

Quando Há Uma Luz no Fim do Túnel!!!

 

 

Sou mais uma dos milhares que começa de madrugada a sua rotina. Há dias que me levanto animada, vejo possibilidades de mudanças positivas e sigo o meu dia nesse ritmo. Outros nem tanto, no entanto, continuo minha jornada. Não paro um só dia. Não há férias!

Hoje, por exemplo, acordei ainda estava escuro. Alguém me chamava aos prantos. Não conseguia identificar a voz, não sabia se era alguém conhecido ou se me procurava pela primeira vez. Muitos me procuram a procura de uma palavra amiga que os mantenha firme em seus caminhos. Nem sempre consigo bons resultados, mas continuo ali no meu plantão incansável.

Fiz o que pude. Um coração entristecido e entregue demora para se erguer. Mesmo segurando firme em suas mãos, acompanhando cada passo, há momentos e pessoas que parecem ter perdido tudo. Às vezes chego a duvidar que posso permanecer por um pouco mais ali ao lado de alguém tão descrente.

Não há mais ninguém. Apenas a minha presença. Percebo que se eu partir mais um seguirá sem rumo, desistindo da vida e do que ela pode oferecer. Sigo falando baixinho, com calma, suavidade e persistência. Abraço, acolho, não desisto de ninguém até que desistam de mim. Eu sou a esperança, presença constante na vida dos homens para lembrá-los que sempre há algo a mais a ser feito antes de desistir.

 

 

Mulheres que são a própria esperança. Que seguem adiante mesmo quando querem desistir. Que se vestem desse substantivo feminino para ir além quando não conseguem avistar nem uma luz no fim do túnel.

 

Grande beijo. Fernandha Zechinatto

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Escrito por Texto de Fernandha Zechinatto às 17h26
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75º Dia

A Busca Itinerante

 

 

Carolina é intensa, tem uma forma marcante de viver os acontecimentos de sua vida. A caçula de quatro irmãos, nunca foi a bonequinha de louça que a mãe idealizou. Gostava de andar de descalça, era toda grande com gestos igualmente grandes. Tornou-se um mulherão. Os lábios carmim com um sorriso que lhe enchia a face, não era preciso nenhum adorno.

Com gargalhadas fartas e contagiantes era impossível não querer estar ao seu lado. Despertava sentimentos bem antagônicos: amor e ódio eram os mais presentes. Não é o tipo de pessoa que manda recado. Respeita a opinião alheia, mas não se sente nenhum um pouco obrigada a compartilhar se não comunga do mesmo pensamento.

Casou-se às pressas aos vinte e três anos. Mudanças eram constantes em sua vida. Até perdeu as contas de quantas já fez. Ao casar-se não foi diferente: malas, móveis, mudança e a barriga de gestante perto do parto, bem redonda e reluzindo. Carolina está sempre aberta ao novo, sente medo, angústia, insegurança, entretanto não são suficientes para deixá-la imóvel. Quanto mais medo mais ela se mexe e sai do lugar.

Viveu alguns anos longe da família com um casamento que não satisfazia seus anseios. Deixou o marido, saiu com a filha em busca do amor que sempre buscou e continua buscando. Deixou a imaturidade de um relacionamento onde tudo aconteceu muito rápido e se entregou a um homem mais velho com uma visão ampliada de mundo. Pelo menos assim ela imaginou. Outra decepção. E uma volta para o antigo lar com a moral e a estima em baixa.

Pouco tempo depois percebeu que não adiantava manter algo para os outros, por pressão, pela dúvida do que seria seu futuro. Mantiveram-se amigos e próximos em prol da filha em comum, uma amizade respeitosa que não é suficiente para alimentar um romance. Carolina busca um romance.

Mais duas ou três mudanças em sua trajetória, aquela gargalhada meio fraca começa a se reerguer. A força dessa mulher é impressionante. Quando todos pensam que ela já não tem como se superar, ela mostra com aquele sorriso que permanece com a fé inabalável, pronta para mais um desafio.

Sempre que ela se mostra assim mais uma paixão está prestes a surgir. E ela mais uma vez pronta a se entregar. É certo que haverá também nova mudança de endereço. Um jeito nômade de ser guiado pelo coração. Uma coragem para desvendar o novo e encarar o incerto. Assim é Carolina.

Um novo casamento. Um novo desencontro. Outra mudança de endereço. Não se sabe se é o gosto pela mudança que motiva tantos desencontros amorosos, ou os encontros amorosos que levam a tantas mudanças.

Agora vive sem um novo amor, num outro endereço, depois de uma separação traumática. Entretanto a busca não terminou. Na verdade nunca termina, cada um escolhe que busca marcará a sua vida. Carolina escolheu, talvez sem perceber, uma busca itinerante pelo amor.

 

Mulheres que mudam e se mudam. Que passavam a vida buscando um amor. Que não têm medo da mudança de endereço. Que tem medo de um coração vazio. Que se entregam em cheio pelo seu anseio.

 

Grande beijo. Fernandha Zechinatto

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Escrito por Texto de Fernandha Zechinatto às 14h36
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74º Dia

Bolo com Chá

 

 

Ellen estava toda entusiasmada com a novidade. Ter sua casa, dividir com alguém que ama e ver chegar aquela pequena flor em sua vida, tudo para preencher sua vida. Trabalhava e estudava. Com o nascimento de Malu algumas mudanças foram necessárias. Continuou a faculdade, no entanto, o trabalho ficou difícil conciliar.

A família, os amigos de infância, a mãe que tinha como grande amiga ficaram longe quando resolveu prestar vestibular em outra cidade. Durante os anos de faculdade conheceu Gabriel. Moço bonito, elegante, de fala firme e suave. Um encanto.

Dois anos para se formar e decidiram se casar. Ellen queria muito um filho. E pouco tempo depois do casamento a boa notícia enche o seu coração. Malu é um bebê doce, sorridente e com a calma de um Buda. Salvo alguns momentos que só o choro pode comunicar o que ela precisa nem se percebe que há um recém-nascido em casa.

Foi aí, nesse momento que o conto de fadas começou a virar tragédia. Embora a participação do pai seja constante ele não é o modelo de paciência e tolerância. A pressa, o imediatismo, a necessidade de ver tudo a contento traz muito estresse. E a roda do desgaste só aumenta.

Mundo moderno. Mulheres cansadas, estressadas, com turnos exaustivos. E sempre a responsabilidade pela casa acaba sendo quase que exclusivamente da mulher.

Ellen tem vinte e quatro anos. Faz parte da nova geração, mas ainda traz situações antigas: a questão financeira, a divisão das tarefas, a afetividade, entre tantas outras que deixam a mulher com muito mais afazeres.

Hoje Ellen não trabalha, depende do marido, deve explicações sobre o dinheiro que pede. Entretanto, muitas mulheres dividem igualmente as responsabilidades econômicas do lar, mas ainda assumem integralmente as atividades domésticas e grande parte de tudo que se refere aos filhos. Essa balança está

Ellen hoje tem pouco mais de três anos de casada, mas frustrações de trinta anos. Tudo o que quer nesse momento é uma tarde com bolo e chá, numa conversa entre amigas.

 

 

Mulheres que sem empenham e desempenham muito mais. Que se decepcionam com o sonho da infância. Que entendem que a palavra divisão pode ter muitos significados e que a conta pode ter resultados diferentes, dependendo de quem está fazendo a conta.

 

Grande beijo. Fernandha Zechinatto

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Escrito por Texto de Fernandha Zechinatto às 22h36
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73º Dia

Como na Mocidade

 

 

Chega um período na vida que parece já ter vivido de tudo. As histórias se repetem como reprise de novela no meio de uma tarde vazia. Nada resta senão acompanhar aquela velha e conhecida que em tempos longínquos emocionou, encontrou eco e identificação. Assim a tarde passa com algum sentido, o conhecido é confortável.

Carlota e Úrsula fazem parte desse grupo. Os conformados com a realidade, mesmo que lá no fundo uma chama queima querendo algo mais imaginam que já não há mais o que viver. Carlota arrisca algumas debandadas. Ficou viúva era nova o bastante para refazer a vida amorosa, escolheu seguir seus princípios e sonhos da mocidade: uma devoção religiosa e sede por conhecimento que excluem as amarras que o relacionamento anterior acabou lhe impondo e cerceando. Não quis o risco de novas algemas. Úrsula cresceu também sob os preceitos religiosos, mantinha-se casada e numa vida de renúncias em nome de uma promessa feita no altar de Santa Teresinha. A fé remove montanhas, mas também pode aprisionar em nome da palavra dada.

Inseparáveis desde a mais tenra infância, Carlota e Úrsula tiveram períodos de distanciamento e proximidade sempre impostos pelos companheiros, ou pelo trabalho, ou pela disposição de estar com o outro. Por elas nunca haveria esse abismo.

Na juventude os bailes, as festas, as quermesses, todos os eventos podiam contar com o brilho dessa dupla iluminada. Hoje tudo isso anda ofuscado. No entanto, basta uma limpeza para a transparência voltar.

Um reencontro num passeio onde pulsa cultura e nunca para. Isso foi o bastante para que Carlota e Úrsula pudessem reviver os tempos maravilhosos onde a maior preocupação era a próxima diversão. Quase cinqüenta anos depois dos primeiros passeios, das diversões quase pueris, as mesmas emoções voltavam a circular àqueles corações. Uma expectativa e espera ansiosa por momentos mágicos, com apresentações de primeiro mundo, mas sentimentos de duas senhoras que naquele momento eram duas mocinhas em seu debut.

 

Mulheres que passam pela vida seguindo seus rumos. Que se reencontra. Que se divertem. Que continuam de onde pararam. Que sabem que as emoções valem mais que palavras.

 

Grande beijo. Fernandha Zechinatto

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Escrito por Texto de Fernandha Zechinatto às 20h34
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72º Dia

Coração Partido

 

 

Aos dezessete anos já estava casada. Casamento simples no sítio dos pais da noiva, com fatura de comida boa de roça. Logo vieram os filhos, de fato e de fé. O amor por seu marido era maior até pelo que nutria por si mesma.

Berenice foi criada à moda antiga. Mulher devia todo respeito e obediência ao marido sem direito ao mesmo. Aquela lua-de-mel da noite de núpcias logo foi desaparecendo. Clóvis logo mostrou seu jeito de ser. Era o provedor que trazia a caça. Todo o resto era por conta da esposa. E como bom macho, algumas presas eram para “consumo” próprio.

Fazia fretamentos, assim era muito fácil driblar horários e escalar álibis estapafurdios para suas ausências noturnas. Aos poucos Berenice descobria um caso aqui, outro ali. O amor-próprio já quase inexistente sumiu por completo. Sujeitava-se às migalhas, já que ele como um bom homem e provedor precisava suprir suas necessidades carnais com uma variedade substancial de amantes. Nem precisava mais de ajuda profissional para farejar a próxima traição. Assim seu coração foi sendo dilacerado irremediavelmente.

Muitas brigas, xingamentos, desacatos. Agressão física não chegou a ocorrer, no entanto, a marca indelével das traições foi se engrossando no sangue ralo que corria nas veias de Berenice. Ela tinha esperança que isso um dia parasse. E parou! Ele se foi.

Muitas ameaças, muito choro, muitas discussões. Assim, Clóvis partiu, juntou suas roupas e deixou a casa que dividia com Berenice por mais de vinte anos. Ninguém sabe se ele quis sair, ou se uma gota de lucidez saiu daquele coração tão maltratado. O certo é que ele se foi para os braços da sua mais nova amante, das muitas que fizeram parte da “história de amor” de Clóvis e Berenice.

O presente que Clóvis deu à nova amante logo depois de completarem um ano de união foi a sua ausência completa e permanente. Faleceu dormindo em um sofá na sala, após o almoço. Provavelmente um infarto fulminante num coração cheio de histórias de corações partidos. Com um filho recém-nascido, filhos adultos, netos e uma vida largada num sofá de uma quase desconhecida. Foi esse o fim de Clóvis, mais uma amargura para o ferido coração de Berenice.

Foram tantas dores que se acumularam naquele coração adolescente, entregue na pureza de um amor quase infantil, que hoje esse coração precisou ser aberto para retirar as placas de amargura que se formaram  impedindo que o sangue pudesse transitar livremente, alimentando seu corpo já cansando.

Berenice teve seu coração partido tantas vezes com uma dor tão profunda que corte é como um elixir para curar as aflições, as mágoas, drenando-as e abrindo espaço para novas experiências.

 

Mulheres que amam como crianças. Que sentem a dor de muitas traições. Que deixam as placas de sofrimentos entupirem suas veias. Que sentem a dor no peito, mas nunca desistem. Que abrem o coração em busca de mais uma chance para serem felizes.

 

Grande beijo. Fernandha Zechinatto

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Escrito por Texto de Fernandha Zechinatto às 16h33
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71º Dia

A Cicatriz

 

 

Quantos joelhos escalavrados, quantos sinais que nunca se perderiam com o tempo. Quantas coisas queremos que se apague. Impossível tal feito para as cicatrizes, elas podem ser quase imperceptíveis, mas sumir, jamais.

Uma brincadeira de rua com os amigos numa infância espevitada, ideias mirabolantes, uma pista de cross no asfalto. Quem poderia inventar um reduto de cross em asfalto puro, com muita brita para fazer o mais belo arranhão. E quem disse que essa brincadeira era só para meninos. Afinal a repressão já estava no final e, embora, morássemos no interior, a mulher já vinha tomando seu espaço a largos passos. O mundo pedia pelo desabrochar feminino em outras paragens.

A pista foi riscada com pedra, muitas curvas, dois quarteirões inteiros numa descida que dava o impulso da adrenalina. Que delícia descer fazendo as manobras que a pista exigia. Bem perto do final uma curva acentuada à direita e já com forte inclinação à esquerda. Quantos tombos. Os mais variados possíveis. Solo, em grupo, em dupla, em trio, era um festival de quedas que a molecada já vinha para a rua com a bicicleta e um remendo no joelho. Tinha remendo também nas mãos, nos cotovelos e até nas barrigas.

Sempre fui a certinha, quadradinha, não era muito dada a certos tipos de brincadeira. Penso hoje que perdi muito tempo querendo ser como os adultos e deixei de aproveitar muitas coisas boas da minha infância. Hoje quero ser mais como as crianças. Ainda bem que me enfronhei nessas brincadeiras com a meninada da rua e os filhos de um amigo do meu pai que vieram passar as férias conosco. Foi um mês de muita aventura, esconderijos secretos, encenações de peças teatrais, piscina e o tão famoso bicicross no asfalto. A pista de terra era muito longe e nossos pais não estavam de férias, tivemos que improvisar na rua.

Hoje, me peguei observado a minha cicatriz no joelho direito. Acho que acabei com a minha carreira de modelo por causa dela. Foi por uma boa causa! Eu tinha que testar aquela pista, precisava passar pela curva do “Senna” sem cair. Pratiquei várias vezes sozinha, sem que ninguém me visse. Não teve jeito, acabei me caindo. Não foi das quedas com maior estrago, no entanto uma pedrinha miudinha, daquelas que não se acredita no estrago que provocam. Se não me engano essa tal pedrinha ficou por uns dias por dentro da pele, a dor não parava e de tanto mexer no machucado ela acabou sendo expelida.

Essa cicatriz foi conseguida por um acidente que todos nós que corríamos nessa pista tínhamos consciência do risco. A vida é isso, é arriscar, é errar, é acertar, é cair, é levantar. Essa cicatriz me traz ótima lembrança. Diz que vale a pena arriscar, sair do quadrado, sentir o vento no rosto enquanto a bicicleta (a vida) ganha velocidade, apesar da queda que me impediu de ir um pouco além momentaneamente, pois eu me levantei e corri para o início da pista e comecei tudo de novo, e dessa vez alcancei o meu objetivo.

Algumas cicatrizes são impostas, conseqüência da nossa ignorância e das outras pessoas, algumas vezes até por maldade alheia. Essas doem mais, paralisam, delas eu corro com a minha bicicleta, pela curva do “Senna”, se eu cair, sei que valeu a pena fugir.

 

Mulheres que brincam. Que criam pistas. Que caem. Que se machucam. Que ganham cicatrizes. Que contam histórias e estórias. Que sabem o valor de se correr um risco para ir um pouco além e sair do “quadrado”.

 

Grande beijo. Fernandha Zechinatto

Ativista do Parto Normal/Natural cada vez mais humanizado. Acredito sempre no empoderamento da Mulher e em nossas realizações!!!



Escrito por Texto de Fernandha Zechinatto às 15h33
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366 Mulheres:

Estórias Reais!!!

 

 

Um pedido de coração:

Cláudia Rolli, uma grande amiga, lança campanha para uma cirurgia delicada do pai, o Noé!!! Visitem o Blog e colaborem!!! Meu muitíssimo obrigada a todos vocês.

http://acaopelavidanoe.blogspot.com/

 

 

70º Dia

O Sabor de uma Conquista!

 

 

Ela acordou, estava meio sonolenta e com preguiça de sair da cama. Nem conseguia abrir os olhos. O dia amanhecera frio, embora o sol estivesse radiante. Aquela brisa suave, entrando pelas frestas da janela fez Márcia se ajeitar no cobertor e virar para o lado. Dias assim pediam um delicioso chocolate quente, uma boa companhia e um bom filme. Naquele momento Márcia não dispunha de nenhum.

Rolou para um lado, rolou para o outro. A cama começou a incomodar, parecia ter espinhos. A noite foi longa: lançamento do seu livro, autógrafos, coquetel e muito que comemorar. Todos na casa já estavam de pé, lendo os jornais, assistindo ao noticiário. Márcia ainda estava no seu deleite do dia anterior. Não que ela goste de viver de passado, mas foram anos de busca.

O sabor da conquista é deliciosamente inenarrável, inunda, transborda, consegue movimentar até o mais parado dos corações. Aquela preguiça aparente era ressaca da descarga de emoções causadas pelo evento da noite anterior. Foi pular da cama e a euforia tomou conta novamente. Como é bom alcançar objetivos cuidadosamente delineados, mesmo que aos olhos alheios nada seja a atividade em voga. Márcia sorvia cada um de seus sentidos em suas apreciações daquele momento, tudo esteve perfeito, até mesmo os improvisos necessários para suprir alguma falha eminente.

Após o apoteótico lançamento, ela agora estava pronta para um banho revigorante seguindo de um instante introspectivo para reverenciar os que foram o combustível inesgotável, energéticos fundamentais, motivo de todo o entusiasmo e vontade de chegar ao fim: o marido, os filhos e os bichinhos de estimação. Cada um se revezava em ternura, abraços, amassos, beijos, afetos e afagos.

Márcia sabia que esse era só o começo.

 

Mulheres que traçam objetivos. Que seguem obstinadas até alcançar. Que nem piscam os olhos. Que são só euforia. Que são só alegria. Que são apenas gratidão.

 

Grande beijo. Fernandha Zechinatto

Ativista do Parto Normal/Natural cada vez mais humanizado. Acredito sempre no empoderamento da Mulher e em nossas realizações!!!



Escrito por Texto de Fernandha Zechinatto às 16h49
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